
outubro 04, 2010
famiLIES

julho 27, 2010
A mais antiga diversão do homem.

julho 07, 2010
Encontro.

Tu tu tu tu tu...
junho 15, 2010
Criatura divina.

- Será que eu posso?
Ele deu de ombros.
Deixei meu corpo cair no concreto pintado de cor branca e, de costas, escorreguei o corpo para o chão, ajeitando-me aos poucos ao lado daquele ser. Sua aparência perfeitamente assimétrica tinha total controle sobre meus olhos; era nada comum, diferente de tudo o que eu já havia visto. Repulsivo. Encantador! A paz que dava de apenas fitar aquelas imperfeições me trouxe dúvidas aparentemente sem respostas. Separei meus lábios, cheguei a pegar fôlego para bombardeá-lo com todas as minhas questões, mas logo juntei-os novamente envergonhada.
- Como ousa?
- Perdão?
- Não tem medo de mim?
- Por que o teria?
- Olhe bem! -Agarrou-se ao pedaço de carne crua como se estivesse aquecendo uma criança nua.
- Não entendi.
- Eu posso te fazer feliz. Eu posso te destruir, fazê-la erguer novamente. Sou capaz de te fazer guerrear consigo mesma, tenho o dom de trazer paz nos momentos mais absurdos. Sou poderoso, criança. Comigo você não vai conseguir fechar os olhos para dormir com medo de eu te deixar, ou até mesmo por que estará fazendo orações para que eu vá embora. Nunca mais terá tanta racionalidade, tomarei conta de tudo, comandarei cada passo e pensamento seu. Suas risadas serão somente as mais sinceras ao meu lado, e suas lágrimas se tornarão cada vez mais presentes por tudo o que trarei comigo. Sou um pacote!!
Seu tom baixo, sua voz inacreditavelmente doce chegava aos meus ouvidos como uma verdadeira e bem feita canção de ninar. Cerrei meus olhos, deixei que, como ele havia feito, o vento movimentasse meus fios de cabelo. Meus lábios sorriram sem o meu comando, senti meu coração palpitar silenciosamente no ritmo da tranqüilidade que acabava de se acomodar.
Saí do meu estado de êxtase. Voltei a fitá-lo com desejo. Encantou-me completamente. Segurou o pouco que restava de seu alimento com a mão mais distante de mim, e com a outra fez pressão sobre meu peito; sobre meu coração.
- É disso que eu me alimento!
- Tudo bem.
- Ainda assim não tem medo?
- Eu preciso da sua presença na minha vida. Preciso dessa insanidade. Minha vida só terá sentido quando não tiver sentido algum pela minha luta.
- Mas muito provavelmente irei feri-la.
- Você está pedindo licença para entrar na minha vida?
- Não! Nunca faço isso. Eu já sei que já estou no controle.
Senti um breve calafrio levantar meus pêlos cobertos pelo tecido grosso de minha blusa enquanto ele afastava sua mão do meu corpo.
- Posso ao menos saber o seu nome?
- Amor. Este é o meu nome: Amor!
junho 02, 2010
Cartas sem destino.

Um desses papéis estava particularmente mais amarelado. Lendo-o, admirei-me ao notar o efeito da droga que cheguei a experimentar nos desejos ali escritos: você. Um estado de dependência absoluta, uma delícia de sensação que fazia um largo sorriso abrir em minha face. Tão brilhantes eram seus olhos, tão adorável sua pele, tão apaixonante o aperto dos seus braços no meu corpo.
Te senti comigo. Seus passos silenciosos circundavam meu corpo encolhido e ajoelhado no centro do quarto, suas mãos me aqueciam como fresta do Sol em dias de frio, sua voz, tão imaginativa quanto sua presença, era uma brisa gostosa que arrepiava cada pelo da superfície de minha pele. Abracei cada folha encontrada, todas as cartas que deveriam estar em suas mãos, apertei-as em meu peito. Tive certeza, a absoluta e absurda certeza de que naquele momento você ouviria meu coração acelerar.
maio 08, 2010
Bandeira branca.
Antonieta era só mais uma adolescente com seus quinze anos de idade que, como outras milhares, enfrentava batalhas de uma interminável guerra cotidiana. Já era tarde da noite, inicio da madrugada. Ao olhar para o relógio, notou ser pouco mais que meia-noite, olhou rapidamente para o teto e tomou coragem. Empurrou pedaço por pedaço do seu corpo para fora do sofá, e caminhou pelo curto, mas que ali mais parecia infinito, corredor que a separava de seu quase arqui-inimigo. Chegando na porta de entrada deparou-se com a posição indefesa e de fácil ataque, cruzou seus braços e parada ali ficou por alguns minutos talvez. Com seu corpo encostado na batente, seu peso totalmente jogado sobre ela, permitia-se alguns sorrisos formados pelos lábios. Antonieta direcionou-se ponta a ponta como quem estivesse andando sobre ovos e cutucou os pés delicadamente de quem estava deitado. Quando notou, mesmo na escuridão, os olhos abertos e espantados fitando-a, sussurrou:-Feliz dia das mães, mãe!
Um feixe de luz perdido no final do túnel apareceu repentinamente para Antonieta.
Era um sorriso de agradecimento pela bandeira branca erguida naquela noite.
abril 29, 2010
Eu conheci.

Desde então, minhas manhãs são iniciadas e tranquilizadas assim, com um lindo pequeno garoto, ou garota, me desejando bom dia antes mesmo de eu me levantar.
abril 26, 2010
2040.
Com certeza isso é o tipo de coisa que deveria ser dito olhando nos olhos, mas como eu sei, ou acho que sei, as pessoas tendem a esquecer como são as circunstâncias em determinadas idades quando tem filhos. Então preferi escrever-te essa carta que somente será lida daqui a trinta anos. No seu aniversário de quinze anos.
Minha linda, todos dizem que é nessa idade que deixamos de ser menina e passamos a ser mulher. Não acredite! É bobagem! Não é obrigado ser mulher nessa idade, até porque, pelo o menos até agora, você só responderá como responsável por seus atos com os dezoito anos. Enfim.
Se ame. Se ame mais do que qualquer homem (ou mulher). Se por um acaso um dia o espelho te disser que não é bonita, saia da frente dele o mais rápido possível. NÃO o escute. Por que? Porque ouvi-lo lhe fará mal, e te tornará em alguém obcecada para buscar uma perfeição. E acredite, essa perfeição não é perfeita para você, e sim para os outros. Estude! Estude muito, é a única coisa que te dará adjetivos realmente válidos. Não queira fazer parte dos “bons” do colégio -aqueles que tiram nota baixa e comemoram. Caso tenha um encontro marcado, conte-me. Conte não somente para mim, mas para seu pai também -não está nos meus planos ter um marido cabeça fechada-, nossa relação será melhor assim. Namorados? Não se zangue comigo, eu vou contrariar muito quando eu não gostar da pessoa, mas tente escolher bem, por favor. Ah! Tecnologia? Passe longe disso, ou pelo o menos evite criar vínculos amistosos ou amorosos através dela. Isso te derrubará e vai te deteriorar aos poucos. Seu irmão logo completará a maior idade, e com isso vem faculdade, amigos mais velhos, bares, baladas. Não queira acompanhar esse ritmo. Talvez você dê conta dele, mas com certeza, você não se sentirá confortável -eu passo por isso. Não sofra sozinha. Eu sei o quanto é bom chorar calada, mas isso não faz bem. Caso faça isso com frequência, sua família será excluída da sua vida e nunca iremos poder te ajudar.
Saiba desde já, se por algum acaso duvida, que eu te amo muito! Entenda que tudo o que faço hoje, com meus quinze anos, já é pensando no seu futuro e no de seu irmão. Vocês estão no meu coração sem nem terem um pai ainda. Mas eu sei, e acredito de verdade, que de alguma forma já está tudo traçado, e que seremos uma família feliz.
Feliz aniversário, minha princesinha.
Sua mãe, L.
Campinas, 26 Abril, 2010.
abril 24, 2010
Have pride in who you are.

- Por favor, apenas me ouça! Pode ser que isso derrube nossa família, pode até ser que isso te faça criar um tipo de desgosto por mim, mas eu preciso falar. Não posso mais guardar esse tipo de segredo com medo de ser rejeitada. Talvez eu nunca devesse ter assumido para mim mesma e de alguma forma ter aceitado, mas seria um erro imenso querer mudar meu gosto, meu instinto. É sim, já faz dois anos ou talvez mais. Eu gosto de mulheres! –Tomei um fôlego profundo, e logo continuei sem dar espaço para que me retrucasse. – É! De mulheres. Não, eu não gosto somente de mulheres, e nem tenho vontade de ter uma vida sexual com alguma (“pelo o menos não ainda”, pensei), e não significa que olho para todas que cruzam o meu caminho com desejo. Homens me atraem. E mulheres me fazem tão bem quanto eles. Já tive relações com algumas e, é claro, apenas elas sabem desses momentos. Apaixonei-me por uma, mas não deixei que o sentimento se alastrasse, porque eu já sabia que nunca poderia trazê-las para casa e apresentar para meus pais como minha namorada.
Deixei que um peso imenso caísse dos meus ombros e logo os deixei cair juntos. Minha coluna adquiriu um formato mais arredondado, e minha cabeça permitiu-me apenas olhar para o chão. Eu podia sentir uma reação igual a minha, talvez uma decepção ou um alívio por saber o que estava acontecendo. Insano.
Chacoalhei minha cabeça rapidamente, cerrei meus olhos com força e fixei em minha mente.
“Se não tem forças para admitir ao seu próprio reflexo sua bissexualidade, como poderá olhar aos que te amam e dizer? Pode ser fácil falar sem parar e sem ter alguém para responder-te. Mas a pressão para que mudes, para que desista e se convença de que é apenas um momento, será muito maior do que a que um espelho pode parecer causar. Seja forte!”
Levantei de minha cama e deixei que o espelho refletisse apenas o espaço vazio que ali ficou.
abril 21, 2010
Núcleo atômico.
Suas mãos se uniram, mas seus corpos mantiveram-se distantes -uma verdadeira labuta! Ali, naquela junção entre duas cargas positivas, houve um espaço de inteiração forte, onde ambos já estavam acomodados indo contra à lei da física.
A dolência não se deixava passar por sorrisos adamastóricos que aos poucos surgiam. O palor de suas peles ia se partindo quando a rutilância tornava aos seus olhos. Tamanho exagero de sentimentos que ali estava presente, que nem sequer um ocaso poderia ofuscar.
Outrora os elétrons, a sociedade, traziam de volta os fantasmas noctívagos que implantavam naquela união sementes do monótono, do lasso. Afundavam-os em perfeita hipocondria.
Desd'aí só mesmo a imaginativa poderia salvá-los e trazê-los de volta ao seu mundo particular. Onde somente eles existiam.
abril 17, 2010
Veja bem...

porque não encontrará!
Não procure sentimentos no meu coração,
porque não achará!
Me falta uma parte, a qual talvez eu nunca mais terei de volta.
Me faltam pedaços que trariam verdades
e que justificariam todas as minhas revoltas.
Não adianta tentar encontrar em mim vestígios de sentimentos,
ou uma alma livre com esperanças.
Enfrente somente minhas atitudes,
pois elas revelarão meias ideias, alguns pensamentos,
parte das lembranças.
E a partir disso, você saberá quem sou.
Me conhecerá ao meio, na verdade,
porque sequer inteira estou.
março 25, 2010
Hey.

When you are in the infinite state of infatuation, a feeling no word or emotion could ever come close to describing, you feel as though this life is worth living. And when you lose it, its unreal. Its a pain i cant describe. Every muscle in my body tenses and my heart pounds so hard i feel like it will kill me.
The thing i have learned most, is that this pain proves to me that my heart and felt a happiness i may never feel again.
I now know from my suffering that the time period in which i did feel this happiness was worth it. There are few moments in life in which i believe we find true happiness, a moment in which everything stands still and every emotion thought or worry is gone, and your a single soul floating in a world of ecstasy. Its a feeling i would not trade for anything.
There is no real conclusion to this, because its undescribable. I do know, that this pain i have felt, this feeling of hopelessness only shows me, i did once fall in love. And every ounce of faith in me, is devoted to the thought of reliving the happiness.
I will always have hope.
março 19, 2010
Bad Romance.

Eu queria entender no que é baseado a desconfiança e toda a falta de vontade de estar junto; essas coisas geram consequências nada boas que afetam profundamente o emocional de qualquer pessoa que passe pela situação. É como a velha história das marcas dos pregos na madeira, nunca irão embora ou deixam de existir. Cada palavrinha de reconciliação é jogada ao vento para quem quiser ouvir e tentar compreender o sentido dessa busca sem fim, inútil.
Basicamente, tudo se perdeu na enorme bola de neve que nosso romance se tornou, e agora aqueles bons e raros momentos juntos se transformaram em pequenos resíduos de lembranças -nada mais que isso.
Não minto ao dizer que ainda te busco nos meus olhos quando encaro um espelho, ou quando vejo marcas de pés pelo meu caminho. Entretanto, é indescritível a sensação de alívio que sinto quando percebo que chegamos ao fim sem ao menos percebermos.
Foi uma tempestade que nos fez ter ondas de calor sem nexo, mas que também foi capaz de gelar cada centímetro de nossos corpos. E aquela tal melodia que um dia foi as batidas de nossos corações acabou virando duas músicas distintas, e inaudíveis.
Por fim, as almas que um dia se juntaram, voltaram a ir em busca de novas aventuras. Procurando, ainda, por um rumo certo, perambolando por todas as ruas estreitas, ou não, evitando sempre o calor do Sol -por apenas um motivo, mater-me sempre conectada ao aquecimento que seus braços foram capazes de me trazer.
março 11, 2010
Tornei-me poliglota.

Desde o dia em que tive a loucura de ousar a conhecê-lo, eu tinha certeza de que não seria apenas mais um contato. Na realidade, havia só uma coisa em mente: fazer parte da vida dele em algum momento. Como uma boa geminiana -orgulhosa e impulsiva, não hesitei em passar por cima dos meus princípios para conseguir concretizar meu plano mirabolante.
Por fazer parte de uma banda, ser um rapaz bonito, no auge dos seus vinte e um anos, era óbvio que meu caminho seria longo e cheio de obstáculos bem difíceis.
Tava na semana do fim do ano, então o assunto que nos cercava era bem previsível. Festas. Conseguia sem dificuldade prendê-lo com minhas palavras quase sinceras que ofuscavam interesses maiores -e é claro, minha inexperiência.
Não demorou muito para seus grandes olhos azuis cor do céu aumentassem diante da minha falsa imagem que comecei a passar. Com os dias, deixei escapar leves demonstrações de intenções, as quais -como um garanhão nato, nunca deixaria passar despercebido. Caiu na isca.
O que eu não sabia -ou fingia não saber, era que aquela minha nova aventura se tornara para ele uma grande oportunidade, um desejo ardente. Embora eu soubesse que eu estava prestes a aprender um novo idioma, não hesitei em encontrá-lo. Tampouco hesitei de seguir o destino que ele próprio havia traçado. O caminho não foi curto -muito menos confortável, já que ele fazia questão de falar sem parar sobre sua vida (mas nunca falando como homem, mas sim como o fulano que toca na banda). Por vezes tentei pedir para que eu não fosse confundida com uma fã, mas minha voz recusava-se a sair quando seus olhos vinham de encontro aos meus.
Chegamos ao lugar que eu nunca havia entrado, e então me dei conta de que ele estava decidido a ser meu professor naquele dia.
Deixei a onda de realização me invadir de uma vez só, e não permiti que seus lábios me intimidassem sempre que se aproximavam. Eu senti cada dedo de suas mãos dançando pela minha pele, e o toque fazia uma combinação perfeita com a pressão que seu corpo fazia de leve contra o meu. Aos poucos eu me acostumei com a nova língua que ele me ensinava de olhos fechados. Consegui esquecer do mundo -assim como ele havia prometido. E só voltei à lucidez com a água fria do chuveiro que caía como flocos de neve sobre nossos corpos. Vergonha.
Existiu mais carinho, preocupação e paciência, do que imaginava que ele seria capaz de ter. Algumas vezes ele passava sua mão sobre a minha e tentava segurá-la, mas de uma maneira hostil ele logo a soltava -assim como uma pessoa em dieta pegando um doce no armário. Eu acabava entendo, no entanto ficava com vontade de agarrá-la de volta -assim como uma pessoa em dieta encarando um doce no armário.
O caminho de volta foi menos longo do que o de ida. Entretanto, sua voz soava mais íntima, e suas paradas para respirar me permitiam soltar algumas palavras intimidadas. Havia uma ligação no ar, nossos olhares por vezes se encontraram, e como uma consequência gostosa sorrisos surgiam. Por fim, em algumas frases soltas eu encontrava o homem que eu queria.
Ao chegarmos no local de início, dentro do carro nos permitimos uns segundos em silêncio. Olhos nos olhos, lábios nos lábios. Foi agradável e pessoal.
Eu não tinha a capacidade de pensar em mais nada, além de que eu havia me tornado uma poliglota.