
Não posso dizer que ter sido uma peça fora do tabuleiro somente me tenha feito mal. Porque embora eu estivesse em uma "missão" de quase auto destruição, o ato de refletir se fez mais acessível nos dias que eu, aparentemente, estava sozinha. Eu havia me fechado no meu mundo, havia me programado a recusar qualquer tipo de novidade que pudesse me tirar da zona de conforto. Não me fez totalmente bem, mas sei que cresci muito por ter aprendido a lidar com minha loucura.
Agora, estar em família e me sentir bem é uma coisa nova para mim. Quero dizer, é algo que a muito tempo eu não tinha. Depois de tantos meses, quando me olho no espelho, hoje, para pensar nos meus dias, sinto-me estranha ao notar que voltei ao jogo. Voltei para o baralho. Não está sendo fácil me controlar por um medo de machucar quem me ouve, mas tem sido prazeroso ver os resultados e ter pessoas ao meu lado para presenciá-los também. O que antes tanto parecia confuso e absolutamente recusável, voltou a ser a estrutura básica. O apoio que eu não tinha, a cada dia mais, tem sido exposto. A confiança está voltando para o lugar. O respeito e o carinho, de mãos dadas, estão cada vez mais presentes. O medo de ser punida e não compreendida tornou-se um medo de perder aqueles que, querendo ou não, notando ou não, sempre estiveram ao meu lado.
Estou podendo ser eu mesma. Estou me sentindo viva!