maio 18, 2010

(In)Sanidade.


Pode parecer fácil, e até ser visto como heróico, se desfazer de vínculos amistosos, ou entrar em rivalidades, por causa de uma amizade. Sabendo, ou não, da durabilidade do “laço pivô”, defender quem se gosta parece justo (até mesmo quando quem está do outro lado da história é tão adorado quanto).



O sangue ferve. As mãos tremem. As palavras são soltas sem o mínimo de cautela. Sabe-se o que machuca, onde está cada ferida. Ataca! Ataca mesmo que não seja por causa pessoal. Ataca somente por instinto. Por opção.


Agora basta abrir os olhos. Um ato rápido e simples. Ver. Enxergar. Responder. É justo? Perdeu! Perdeu tudo o que tanto defendeu. Falhou na briga mais importante. Está sozinho!

maio 13, 2010

Manual de Instruções.


Ela adentrou a sala com seu material envolvido pelos braços. Os ombros estavam semi erguidos, como se naquela posição aclamasse por proteção. Conforme se aproximava, a maneira como estava vestida chamava mais atenção -rasteirinhas de bolinhas com um pequeno laço nas tiras que enfeitava seu peito dos pés, calça jeans um tanto justa que delineava suas pernas, e uma fina blusa clara em formato de jaleco. Sua estatura mediana e seus poucos quilos passavam uma imagem de bondade, sobre sua mente, porém, não se pode afirmar com tanta certeza. Discursos com data de validade passada provaram que ali estava uma garota leal ao manual de instruções; Como ser uma princesa.


Nada com nada. Princesas defendem o planeta, usam canetas coloridas, falam calmamente -sempre com uma postura encolhida. Não falam palavrão, defendem o ser homem. Entendem os animais. Acreditam em duendes, tem amigas fadas. Tem letra arredondada, desenhos caprichados. Sua voz fina e de baixo tom representa sua delicadeza, e se complementa com a sutileza do andar. Elas se vestem bem, escovam os fios de cabelo com perfeição, se maquiam para onde quer que vão. As princesas são indefesas, e visivelmente, facilmente, admiradas.


É fácil en(ganar)cantar. Vamos ser uma princesa hoje?

maio 08, 2010

Bandeira branca.

Antonieta era só mais uma adolescente com seus quinze anos de idade que, como outras milhares, enfrentava batalhas de uma interminável guerra cotidiana. Já era tarde da noite, inicio da madrugada. Ao olhar para o relógio, notou ser pouco mais que meia-noite, olhou rapidamente para o teto e tomou coragem. Empurrou pedaço por pedaço do seu corpo para fora do sofá, e caminhou pelo curto, mas que ali mais parecia infinito, corredor que a separava de seu quase arqui-inimigo. Chegando na porta de entrada deparou-se com a posição indefesa e de fácil ataque, cruzou seus braços e parada ali ficou por alguns minutos talvez. Com seu corpo encostado na batente, seu peso totalmente jogado sobre ela, permitia-se alguns sorrisos formados pelos lábios. Antonieta direcionou-se ponta a ponta como quem estivesse andando sobre ovos e cutucou os pés delicadamente de quem estava deitado. Quando notou, mesmo na escuridão, os olhos abertos e espantados fitando-a, sussurrou:

-Feliz dia das mães, mãe!

Um feixe de luz perdido no final do túnel apareceu repentinamente para Antonieta.
Era um sorriso de agradecimento pela bandeira branca erguida naquela noite.

Ser humano x Perfeição.



“ Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. “ (Antoine de Saint-Exupéry)


Um erro. Um ato mal pensado, irracional, inocente talvez. Basta um passo em falso para que o nome suma, e todo o histórico de vida desapareça. É simples de entender, e quando acontece, é tão rápido quanto um carro na corrida de F1. Ao fechar os olhos no ato involuntário de piscar, e quando voltar a abri-los, pronto, já foi, a borracha do erro se concretizou e apagou.


A grande questão por trás disso é, se a confiança, um dos sentimentos indispensáveis para um bom relacionamento, some de cara, logo na primeira atitude equivocada, como fazer para consertar o estrago? Na realidade, tem como?


Talvez pela posição que me encontro, essa solução não esteja dentro do meu campo periférico de visão. Então, torno-me vazia quando tento encontrar uma maneira de provar que os erros são o caminho para o certo, e que a falta de confiança de terceiros nada mais é, senão um impulso para a desistência.


Errar faz parte da dádiva que é viver. No entanto, pagar por isso, também.

maio 06, 2010

“Sou brasileiro e desisto nunca!”

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Ah! Qual é? Qual o orgulho que a sua (nossa) nacionalidade dá? Futebol? Que é marcado por guerra ininterruptas de torcidas “organizadas”, e pelo os melhores jogadores caírem fora do país na primeira, no máximo segunda, chance. Carnaval? Que caracteriza muito a vida cotidiana do país, certo? Festas, bunda de fora, e tudo mais. Povo caloroso? O que, convenhamos, só vemos que essa paixão existe quando é um artista, seja ele de qual área for, que está diante das pessoas, porque quando é um morto de fome caído pelo chão sem ter sequer onde se deitar, nenhuma paixão é visível ali. “O cara!”, segundo Barack Obama? Nosso querido Presidente te dá orgulho de ser brasileiro? Ok, reconheçamos que para quem é semi-analfabeto, que começou como torneiro mecânico, e hoje estar na Presidência da República de um país do porte que o Brasil é (e quando digo “porte” quero dizer pela imensidão do território e número de população), a luta foi grande e nada fácil. Porém, sabe você que no Governo Lula há mais de cem casos de escândalos? Os quais, é claro, ele não sabia.


Vamos lá, 2010 é ano de novas eleições. Além do presidente da República, também serão eleitos governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distrital. Sendo que:

Presidente da República – quatro anos no governo.

Senador – oito anos.

Deputados – quatro anos.

Ignorando as reeleições, já é um bom tempo! Sim, é claro, não deixo de lado o fato de que com a quantidade de coisa a ser feita, o tempo vira curto, no entanto, é o suficiente para fazer um enorme estrago também. Por isso, a única maneira de podermos corrigir o país, ter orgulho de onde vivemos (e não, não estou falando das praias e nem nada disso!), o primeiro passo a ser dado é do povo. Sim, do povo. Este mesmo que elege os carrascos para o poder e que depois reclamam. Um voto com sabedoria, e com o mínimo de consciência, pode mudar tudo. Não adianta pensar que “as crianças são o futuro do Brasil”, sendo que a cada mês as coisas pioram duas, três vezes mais. É uma bola de neve que nunca para de rodar, de crescer.


Candidatos à Presidência da República:

Dilma Rousseff (PT),

Ciro Gomes (PSB-CE)

José Serra (PSDB)

Aécio Neves (PSDB)

Marina Silva (AC) -deve ser a candidata pelo Partido Verde-.


Para que o título deste Post tenha sentido, é necessário ter uma motivação.

E o Brasil não tem mais isso!

maio 03, 2010

Deus


"Entenda minha descrença, desconhecido interlocutor.
Ela não é oriunda das tormentas que vi e vivi.
Provém das inúmeras e gélidas noites que acordei,
Trêmulo com o cortante frio que jamais senti.

Fujo de olhares impregnados com desprezo.
Ouço palavras vis, travestidas de benevolência.
São pronunciadas com com falsa meditação,
Por homens convictos de Tua existência.

Perco-me na confusão que chamam de Vida.
Calado pelos outros, parei de me expressar.
Guardo para mim as tristes incertezas,
Que poucos ousam questionar.

Todavia, não é o meu silêncio forçado que incomoda.
Tampouco palavras repressoras e olhares de censura.
Não! O que tira meu sono à noite, Senhor,
É essa Tua indiferente – quiçá apenas ausente – postura.

Talvez minha muito limitada mente mortal
Não tenha captado o Vosso grandioso plano.
Mesmo assim, abomino esse propósito maior
Que, sem explicações, subjuga o ser humano.

És tão abstrato! Como Te descobriram; onde estás?
E nem sequer é essa a razão da crença inviabilizada.
Pois de imediato reconheço: eu até poderia ter ,
Se vivêssemos de forma mais civilizada.

Para uma mera conclusão, calha reforçar o pensamento.
Nunca Te manifestastes, erguestes de alicerce nenhum.
Criamos molde utópico para o nosso próprio Criador,
Mas o vazio é o mesmo. E agora? Criaremos mais um?

Não espero acordar amanhã e encontrar a resposta
Que até hoje, apesar da busca constante, nunca veio.
Mas não nego que ainda sonho em descobrir, algum dia,
Que tudo isso não passa de um surreal devaneio.

Se por ventura a morte me acordar para outra realidade,
Então talvez haja um fio no qual perdure a esperança.
Mas enquanto não deixo a vida, continuo aqui;
O homem sem dormir, a alma que nunca descansa."

*Esse texto foi encontrado em uma comunidade do Orkut. O dono é identificado como Rourke. -O título foi por mim alterado, mas o texto foi devidamente mantido de acordo com sua forma original.